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Capela dos Milagres
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A Capela dos Milagres, situada no Largo do Senhor dos Milagres / E.R. 212, é uma das primeiras capelas construídas na ilha. Foi edificada no local onde se realizou a primeira missa na Madeira, no dia seguinte ao descobrimento da ilha (2 de julho de 1419), fazendo-se o voto de ali erguer-se uma capela de invocação a Cristo.

De acordo com a tradição popular ela está assente sobre o túmulo dos malogrados amantes Robert Machim e Ana d’Arfet. É Imóvel de Interesse Público (Dec. 30/762 de 26/9/40).

Possui planta longitudinal, com orientação Oriente/ Ocidente (obrigação litúrgica da época), sendo composta por nave e capela-mor retangulares, tendo adossada a sacristia a Norte da parede capela-mor e a Sul o Centro Pastoral Senhor dos Milagres.

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O acesso faz-se por um portal, de cantaria em arco quebrado, que se encontra encaixado numa alta empena triangular e é rematado por um óculo redondo com vitral e cruz de Cristo superior em cantaria rija. A cimalha é igualmente em cantaria cinzenta e coberta de telha de meia cana. O pórtico ostenta, entre as arquivoltas, várias cruzes da Ordem de Cristo. Nos alçados Norte e Sul abrem-se duas frestas de tamanhos diferenciados, de arco quebrado em cantaria regional rija.

No interior da ermida, mesmo na entrada, podemos observar ladrilhos brancos e pretos num interessante desenho enxaquetado, um guarda-vento sobre o qual assenta o coro-alto de madeira, apoiado em duas colunas marmoreadas (escaiola) sobre um plinto em cantaria cinzenta insular. No lado do evangelho, um púlpito redondo em madeira pintado com escada de madeira e sobrecéu e dois altares de talha tardo-barroca em ângulo: N.ª Sra. das Dores e Nº Sr. dos Passos. O arco triunfal, pleno em cantaria marmoreada, é coroado com as armas nacionais, desenhadas sob uma cortina pintada de vermelho com borlas. Uma balaustrada em madeira divide a nave. As frestas exibem uma decoração envolvente em talha policromada. O teto do templo é estucado e decorado com elementos vegetalistas.

A capela ostenta retábulo-mor em talha tardo-barroca policromada e dourada e teto dourado com uma cruz de estuque.

A capela foi destruída pela terrível aluvião de 1803, que a danificou quase completamente levando o Cristo crucificado para o mar. A imagem, quase intacta, acabou por ser recolhida por uma galera americana. A partir daí a invocação da ermida mudou para Senhor dos Milagres. Foi totalmente demolida em 1862, por ameaçar ruína. É de novo reedificada e finalmente inaugurada em 1883. Da primitiva capela do séc. XV, conserva somente parte do portal ogival e o arco triunfal que terá provavelmente pertencido igualmente à primordial edificação. Em 1956 sofreu consertos profundos em virtude da aluvião de Novembro.

Fonte: Baseada na informação disponível no inventário do Património Imóvel do Concelho de Machico, Sousa, Èlvio (Coord.), CMM/ARCHAIS(2005)
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